Assistindo pela televisão as comemorações da Revolução Farroupilha, eram visíveis as bandeiras do MRR tremulando nas pradarias sulistas. Na busca de informações sobre o Movimento, inevitáveis foram as seguintes conclusões, que, compiladas, resultaram nessa espécie de crônica-artigo.
“Fundamenta-se também (o movimento), na convicção de que o povo gaúcho detém uma cultura própria e distinta das demais, preenchendo as condições mínimas para elevar-se à categoria de “etnia gaúcha”, que torna legítimo seu direito de autodeterminação.” [1] – como paulista, afirmo que, na região sudeste de forma parcial, muitos costumes regionais perderam-se, mas, sinceramente, não vejo porque os nordestinos, por exemplo, também não detêm essa “cultura própria e distinta” a que se referem os gaúchos.
Quais serão as reais intenções dessa minoria (?) sulista que se esconde atrás de argumentos como a formação de um regime confederado, do direito a sua autodeterminação e da democratização do poder ? Diz-se contra a discriminação mas prega a desunião como solução?
Um belo dia, um ministro brasileiro disse algo do tipo “o que é bom para os Estados Unidos da América é bom para o Brasil” – essa falácia, em certos momentos, me lembra muito a retórica gaúcha.
O Movimento Pró República Rio-Grandense (MRR) alega que o Brasil disfarça-se de República, de Federação, de País e, inclusive, de Independente; e ainda que “é neste imenso "teatro de disfarces" que encontramos a origem dos nossos atuais problemas. Só um povo esclarecido, autônomo e homogêneo... Só uma nação de verdade, poderá encontrar um caminho, e terá força de união, para buscar com perseverança a solução de seus problemas mais graves e urgentes...” [2] - e de fato, não seria coerente negá-lo.
Entretanto, a grande contradição dessa afirmação está justamente na criação de um movimento separatista.
A verdadeira Nação pela qual devemos lutar é o Brasil; foi nessa terra que muitos foram torturados, exilados, mortos e ainda são motivo de deboche por lutarem pela afirmação da chamada identidade brasileira ou brasilianidade. Ao longo dos anos, nos deixamos “estuprar” por costumes e culturas que não nos pertencem, muitas vezes, é claro, por ignorância e ainda por pressão midiática, o que resultou, obviamente, na formação de um País-não-Nação.
Desconfio que o processo de criação de uma Nação Brasileira não se fortalecerá atrás de iniciativas como a sulista, uma ação covarde, do ponto de vista moral, já que significa, num português abrasileirado bem claro e sem aspas, fechar os olhos, tirar o corpo fora, fazer vista grossa para as responsabilidades sociais de todo cidadão em relação a outros conterrâneos desprovidos de meios para lutar contra todos os tipos de opressão, principalmente aquele que gera miséria.
Quer dizer que toda vez que se depararem com injustiças, exclusão social, corrupção e impunidade, vocês VÃO PEDIR PARA SAIR? Verdadeiros guerreiros, como se intitulam os gaúchos, ficam e LUTAM!
Já que se consideram mais patriotas, ou “a única Nação existente no Brasil ” [3] contagiem o restante dos brasileiros com esse sentimento, unam-se, ensinem... e não simplesmente hajam de forma mesquinha, virando as costas para os que vocês (vocês!) consideram cidadãos inferiores sob uma série de requisitos.
“Em todos os atos de sua existência, antes e após a proclamação de sua independência, o povo da República Rio-Grandense sempre demonstrou soberania, cultura e vontade próprias distintas das demais existentes no Brasil, América e demais países do mundo civilizado.” [4] (A presença dessa paráfrase no texto tem como única finalidade a legitimação do adjetivo “arrogante” usada no parágrafo a seguir)
Concluo, de maneira muito pessoal, que essa seria uma ótima ação, afinal, ficaríamos livres de uma considerável quantidade de arrogantes... o que não quer dizer que não haja arrogantes paulistas, cariocas..., ou que eu não o seja, mas, convenhamos, caso vejamos nascer uma República Rio-Grandense, imagino que restarão aos gaúchos fazer acordos com países como a Argentina, por exemplo, um povo com o qual eles realmente têm afinidades.
[1];[2];[3];[4]: Fragmentos retirados da “Declaração de Princípios” do site do referido Movimento Pró República Rio Grandense (http://www.riograndelivre.org/index.php/principios) e do seguinte artigo (http://www.paginadogaucho.com.br/hist/sep.htm)
Obs: Sou uma "cidadã brasileira do mundo", reconheço que cada cultura na Terra tem suas respectivas peculiaridades, e gostar de muitas delas não me faz menos brasileira, a não ser que deixe de respeitar a minha própria em função de outras.
sábado, 27 de setembro de 2008
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