quarta-feira, 4 de junho de 2008

Novas espadas, antigos moinhos e nenhum Sancho.

Quando você estufa o peito, respira fundo, toma coragem e executa o plano J, número de protocolo 11.101.959-3...
Você se vê diante da pessoa mais imperfeita e mais terrivelmente charmosa, algo absolutamente sem precedentes, e, de repente, também se dá conta da quantidade de imprestáveis que foram colocados no mundo por suas progenitoras só para avacalhar com os seus planos, complexamente traçados e estudados.
Mas, o pior de tudo, é você ter certeza que tudo foi colocado a perder, justamente porque o seu símbolo sexual às avessas - ou como diria a outra, ‘o seu homem’ - tem satisfações a dar àqueles seres inúteis, que têm como única diversão na vida, julgar o que VOCÊ faz da SUA existência.
Dessa forma fica difícil proliferar a espécie!
O que conforta é olhar aqueles olhos verdes e sentir o cheiro suave de cigarro impregnado na pele dele, que, a essa altura já não incomoda mais, e você está se lixando a respeito do fumo passivo...;vê-lo gaguegueguejar quando encontra seus olhos; ouvi-lo explanar sobre 1968 e ver em seu sorriso acanhado, a surpresa, ao perceber que vocês também compartilham das mesmas utopias – mesmo sabendo que, enquanto ele já participava de Movimentos Estudantis, você nem um óvulo fecundado era; escutar uma desculpa esfarrapada de que ‘ele está ficando gripado’ enquanto você olha fixamente para as mãos dele e as percebe trêmulas; perguntar sobre seus planos para assistir a final do Campeonato e, após ouvir mais uma desculpa, agora em tom desconcertante, ver a amabilidade e a súplica em seus olhos, implorando para que você não seja tão enfática em seus desejos diante de uma situação tão delicada...


Don Quijote é que era feliz...

2 comentários:

Cαмiℓα Pαяяєiяαs disse...
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Anônimo disse...
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